Sempiterno
Vinde aqui aquele estranho ódio de tudo. Mais uma vez sugando a índole, a vontade, os pensamentos. Bem vindo seja, novamente. Roçando pelo chão cada sorriso verdadeiro, imaculado por boas circunstâncias. Senta-te em tua velha cadeira e diga-nos que está orgulhoso do escorrer de lágrimas que presenciaste a pouco. Surdo às palavras humanas, faça-os agirem como insanos, esfarrapados de desgosto. Tão fajuto quanto faceto este seu riso esconso. Sua clareza está em cada visita. Ademanes para aqueles que percebem sua ausência, pois sabem que um dia estarás de volta. Pobres bastardos aqueles que não lhe recebem como eu.
200º
É de fato
Muito ruim desejar a presença de alguém
Que não pode estar com você agora.
Ah, como eu odeio esperar..
Cada minuto que passa
Torna o próximo tão mais angustiante que o anterior.
É como uma corda,
Que se aperta em volta do pescoço com o decorrer do tempo
Sufocando ainda mais quem já não respira direito.
Muito ruim desejar a presença de alguém
Que não pode estar com você agora.
Ah, como eu odeio esperar..
Cada minuto que passa
Torna o próximo tão mais angustiante que o anterior.
É como uma corda,
Que se aperta em volta do pescoço com o decorrer do tempo
Sufocando ainda mais quem já não respira direito.
Before midnight, I write
O céu calmo, o sol enfraquecido, o dia que não presenciei pela falta de energia em meus ossos envoltos de uma carne tão forte. As frestas de calor que poderiam ter entrado em meus quarto e aquecido alguns pedaços de minha pele alva, tépida. Os dedos gélidos que se encontram em volta desta xícara de chá quente, desejam estar em volta daquele corpo. Mas com receio de não serem suportados por muito tempo decorrentes a sua frieza, embora terem a certeza de que serão bem aceitos, de certa forma. Dia frio para um descanso, dia tênue para sentir falta de alguém tão importante. Dia distante, que se juntara àquele conjunto de dias em que não me importei com nada, a não ser com o incrível fato de que meu coração ainda bate o suficiente; apenas para ter a chance de se alegrar novamente.
Juddy
Ela sentou-se do meu lado e perguntou:
- Hey, o que está fazendo?
- Nada, - respondi enquanto passava levemente meus dedos pelo sexteto de cordas do violão que repousava deitado em meu colo. - Não faço nada, só respiro.
- Então vamos brincar?
- Do quê?
- De show.
- Como assim?
- É fácil. - disse ela. - Você é a artista e eu sou a platéia.
- Mas aí não vai ter graça.
- E por qual razão não terá graça? - replicou, em tom um pouco mais tenso. - Só porque eu sou sua amiga imaginária?
- Não, Juddy, não é isso. - expliquei, acariciando o instrumento com suavidez. - É que eu não sei tocar e cantar. E eu sempre erro nos acordes, não é sempre que sai perfeito, você sabe.
- Claro que sei. - olhou rapidamente meu rosto que estava cabisbaixo. - Mas se saísse perfeito toda a vez, seria uma chatisse, não acha?
- É, talvez.
- O que seria do doce senão existisse o amargo? É aí que a graça se esconde. - deu um leve tapinha em meu ombro, sorrindo. - Agora vamos, toque uma canção. Sua platéia está esperando.
- Hey, o que está fazendo?
- Nada, - respondi enquanto passava levemente meus dedos pelo sexteto de cordas do violão que repousava deitado em meu colo. - Não faço nada, só respiro.
- Então vamos brincar?
- Do quê?
- De show.
- Como assim?
- É fácil. - disse ela. - Você é a artista e eu sou a platéia.
- Mas aí não vai ter graça.
- E por qual razão não terá graça? - replicou, em tom um pouco mais tenso. - Só porque eu sou sua amiga imaginária?
- Não, Juddy, não é isso. - expliquei, acariciando o instrumento com suavidez. - É que eu não sei tocar e cantar. E eu sempre erro nos acordes, não é sempre que sai perfeito, você sabe.
- Claro que sei. - olhou rapidamente meu rosto que estava cabisbaixo. - Mas se saísse perfeito toda a vez, seria uma chatisse, não acha?
- É, talvez.
- O que seria do doce senão existisse o amargo? É aí que a graça se esconde. - deu um leve tapinha em meu ombro, sorrindo. - Agora vamos, toque uma canção. Sua platéia está esperando.
Solferino
Um dia
Permitirei que se dissipe
A grande vivacidade
Desta névoa de sentimentos que paira
E se espalha,
Por todo um corpo que se sente cansado
Apesar de tão poucos anos...
E vos mostrarei
O que o um amor pode fazer
Se é que este algum dia
Teve esse direito.
Permitirei que se dissipe
A grande vivacidade
Desta névoa de sentimentos que paira
E se espalha,
Por todo um corpo que se sente cansado
Apesar de tão poucos anos...
E vos mostrarei
O que o um amor pode fazer
Se é que este algum dia
Teve esse direito.
Death Tree
Não é de sempre que deixo a ira me dominar por muito tempo. Se não tenho aquele alguém que me faz esquecer dos infortúnios, opino para a música. Mas quando não posso fazer barulho, apelo para a ilustração. O engraçado é que nunca consigo pensar em mais nada, e acabo desenhando essa árvore. Árvore da Morte, como a chamo. Não é tão bela como qualquer árvore; está tão cheia de raiva que perdeu todas as suas folhas e agora não passa de um pedaço de madeira petrificado. A forca... bem, a forca representa o castigo que eu gostaria de aplicar nesses malditos motivos de aversão, em tudo isso que eu gostaria de matar, mas não posso.
"Antes só do que mal acompanhado..."
Odeio 'filosofar' sobre qualquer coisa (aliás, nem tenho certeza se sou capaz disto), mas andei pensando e acho que não concordo com esse ditado. Claro que é bem mais favorável ficar sozinho ao ter um aborrecimento. Talvez eu não saiba explicar, no entanto não é difícil de se entender. De certa forma, eu prefiro ter uma companhia com quem me aborrecer do que não ter ninguém, nem para isso. Pois se fico sem alguém por muito tempo, me aborreço do mesmo jeito, exatamente por não ter com quem ou com quê me injuriar. Então o que prefiro: me aborrecer por algum motivo ou me aborrecer por não ter motivo algum?
[...]
— Ah! Hermínia, não há muito o que ensinar, você sabe muito mais que eu. Que
pessoa interessante você é, mocinha! Em tudo e por tudo você caminha à minha
frente. Significo algo para você? Não a aborreço?
Olhou para o chão com olhos sombrios.
— Não me agrada ouvi-lo falar assim. Você se esquece da noite em que, desesperado pelo tormento e a solidão, cruzou por meu caminho e nos tornamos bons amigos? Por que imagina que pude conhecê-lo e compreendê-lo então?
— Por que, Hermínia? Diga-me!
— Porque eu sou como você. Porque estou tão só e amo tão pouco a vida, as pessoas e a mim mesma quanto você; e, como você, não posso levar nada disto a sério. Sempre houve pessoas assim, que exigem da vida o que ela tem de mais alto e não podem conformar-se com sua estupidez e crueldade.
— Oh! você! — exclamei, profundamente admirado. — Compreendo-a muito bem,
minha amiga; ninguém a compreende melhor do que eu. E, no entanto, continua a ser um enigma para mim. Você brinca com a vida, tem uma prodigiosa afeição pelos pequenos detalhes e prazeres, é uma espécie de artista da vida. Como pode sofrer na vida? Como pode duvidar?
— Eu não duvido, Harry. Mas quanto a sofrer na vida, disso tenho muita experiência. Você se surpreende por eu ser infeliz e conseguir dançar e estar tão segura de mim nas coisas superficiais da vida. E eu, meu amigo, me surpreendo por sabê-lo desiludido da vida sendo capaz de dominar tão profundamente as mais belas coisas do espírito, da arte e do pensamento! Eis por que fomos arrastados um para o outro e por que nos fizemos irmãos. Vou ensinar-lhe a dançar, a brincar e a sorrir, e ainda assim permanecer infeliz. E você me ensinará a pensar e a saber, e ainda assim permanecer descontente. Sabe que somos ambos filhos do demônio?
— Sim, isto é o que somos. O demônio é o espírito, e nós, seus filhos desgraçados. Saímos da natureza e caímos no vazio...
[...]
pessoa interessante você é, mocinha! Em tudo e por tudo você caminha à minha
frente. Significo algo para você? Não a aborreço?
Olhou para o chão com olhos sombrios.
— Não me agrada ouvi-lo falar assim. Você se esquece da noite em que, desesperado pelo tormento e a solidão, cruzou por meu caminho e nos tornamos bons amigos? Por que imagina que pude conhecê-lo e compreendê-lo então?
— Por que, Hermínia? Diga-me!
— Porque eu sou como você. Porque estou tão só e amo tão pouco a vida, as pessoas e a mim mesma quanto você; e, como você, não posso levar nada disto a sério. Sempre houve pessoas assim, que exigem da vida o que ela tem de mais alto e não podem conformar-se com sua estupidez e crueldade.
— Oh! você! — exclamei, profundamente admirado. — Compreendo-a muito bem,
minha amiga; ninguém a compreende melhor do que eu. E, no entanto, continua a ser um enigma para mim. Você brinca com a vida, tem uma prodigiosa afeição pelos pequenos detalhes e prazeres, é uma espécie de artista da vida. Como pode sofrer na vida? Como pode duvidar?
— Eu não duvido, Harry. Mas quanto a sofrer na vida, disso tenho muita experiência. Você se surpreende por eu ser infeliz e conseguir dançar e estar tão segura de mim nas coisas superficiais da vida. E eu, meu amigo, me surpreendo por sabê-lo desiludido da vida sendo capaz de dominar tão profundamente as mais belas coisas do espírito, da arte e do pensamento! Eis por que fomos arrastados um para o outro e por que nos fizemos irmãos. Vou ensinar-lhe a dançar, a brincar e a sorrir, e ainda assim permanecer infeliz. E você me ensinará a pensar e a saber, e ainda assim permanecer descontente. Sabe que somos ambos filhos do demônio?
— Sim, isto é o que somos. O demônio é o espírito, e nós, seus filhos desgraçados. Saímos da natureza e caímos no vazio...
[...]
Mesmo que eu dissesse, não adiantaria
Isso, grite mais. O dia que ficar você sem sua potente voz será aquele em que eu poderei acreditar em deus. Já estou surda de tanta falação. Exato, sou uma mera retardada que não entende as suas ordens. E realmente, não me vale tanto assim obedecê-las. Poderia, por obséquio, calar essa sua maldita boca? Estou tentando escrever. Espere, faça melhor, continue. Me deixe ter cada dia mais certeza de que meu tempo por aqui está se esgotando. E aproveite enquanto tem alguém em que possa descontar todo o seu stresse. Quando estiver só você e as paredes, verá como elas são diferentes de mim.
Empty Space
Apesar de ter tanta coisa lá fora
Aqui dentro o espaço ainda é vazio
E sem tempo para gastar comigo
Sem paciência para aguentar minhas asneiras
E o que eu não daria agora
Para puxar da mente todas aquelas canções em voz baixa
O violão descansando em meu colo
E você em meu ombro,
Ouvindo-as sem mais nada dizer
Ouvindo-as sem mais nada querer
Assim como eu,
Como o tempo.
Que de tão fastidioso,
Deixou que o brilho do Sol se dissipasse entre as nuvens...
Aqui dentro o espaço ainda é vazio
E sem tempo para gastar comigo
Sem paciência para aguentar minhas asneiras
E o que eu não daria agora
Para puxar da mente todas aquelas canções em voz baixa
O violão descansando em meu colo
E você em meu ombro,
Ouvindo-as sem mais nada dizer
Ouvindo-as sem mais nada querer
Assim como eu,
Como o tempo.
Que de tão fastidioso,
Deixou que o brilho do Sol se dissipasse entre as nuvens...
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