Abre-se as cortinas e lá vamos nós.
Você é o personagem principal. Haverá cenas alegres, tristes, engraçadas, trágicas, românticas... e tudo acontecerá ao teu redor. E sempre haverá um espectador mais abusado observando sua atuação e comentando sobre ela para o companheiro da poltrona ao lado. Muitos personagens entrarão e saírão de cena, menos você. Alguns voltam, a maioria não. Nenhum igual, todos completamente diferentes; alguma mera semelhança talvez... talvez. Mas é recíproco. Uns serão tão inesquecíveis, que te fará ter vontade de vê-los em cena novamente.
Cenários variados... lindos, feios e outros nem tanto. Luzes, cores e trilhas sonoras para cada momento especial do tão esplêndido espetáculo da vida. Nenhum direito a ensaios, roteiro, ou falas decoradas. Tudo emprovisado, ao vivo. O segredo é ser seu único personagem... para que quem estiver assistindo nunca se esqueça dele... e do que fez antes das cortinas se fecharem para sempre.
Possessão
- Mas ora, criança, porque choras?
- Porque estou triste e não posso estar com a pessoa que amo.
- Já optou por enviar cartas ou telefonar?
- Não tenho o telefone dela e o correio já fechou. Só abrirá na segunda-feira.
- Então prepare uma carta e envie na segunda.
- Segunda-feira eu não estarei mais triste.
- Estará feliz?
- Não. Estarei chateada.
- E não irá querê-la quando estiver chateada?
- A quero em todos os momentos... esse é o problema.
- Porque estou triste e não posso estar com a pessoa que amo.
- Já optou por enviar cartas ou telefonar?
- Não tenho o telefone dela e o correio já fechou. Só abrirá na segunda-feira.
- Então prepare uma carta e envie na segunda.
- Segunda-feira eu não estarei mais triste.
- Estará feliz?
- Não. Estarei chateada.
- E não irá querê-la quando estiver chateada?
- A quero em todos os momentos... esse é o problema.
Questions
- Me permite fazer apenas uma pergunta além desta que lhe faço agora?
- Sim, pergunte.
- Se pudesse escolher entre o Céu e o Inferno, qual escolheria?
- O inferno.
- E por que?
- Você disse que era apenas uma pergunta.
- E daí?
- E daí que com essa última, foram três.
- E é pecado fazer perguntas a mais?
- Não sei. Mas não cumpriu com sua palavra de fazer-me uma única pergunta.
- Será que queimarei no Inferno por não cumprir minha palavra?
- Espero que não. Porque se isso acontecer, escolho ir para o Céu, desde já.
- Sim, pergunte.
- Se pudesse escolher entre o Céu e o Inferno, qual escolheria?
- O inferno.
- E por que?
- Você disse que era apenas uma pergunta.
- E daí?
- E daí que com essa última, foram três.
- E é pecado fazer perguntas a mais?
- Não sei. Mas não cumpriu com sua palavra de fazer-me uma única pergunta.
- Será que queimarei no Inferno por não cumprir minha palavra?
- Espero que não. Porque se isso acontecer, escolho ir para o Céu, desde já.
Ternura Familiar
- Não grite comigo. - falei serenamente, tentando parecer o mais calma possível apesar de por dentro eu estar pronta para explodir.
- Estou na minha casa, e falo na altura que eu quiser com você. - replicou ela ainda num volume alto demais para uma conversa descente. - Eu sou sua mãe!
- E eu sou sua filha, - articulei sem alterar meu tom de voz. - não o seu cachorro.
- Estou na minha casa, e falo na altura que eu quiser com você. - replicou ela ainda num volume alto demais para uma conversa descente. - Eu sou sua mãe!
- E eu sou sua filha, - articulei sem alterar meu tom de voz. - não o seu cachorro.
Stand by Me
O que desejo é estar sempre perto de ti
Para aliviar as dores e fazer-te sorrir
E jamais deixar-te esquecer,
Que sou aquele quem mais se preocupa
De verdade...
Contigo.
Para aliviar as dores e fazer-te sorrir
E jamais deixar-te esquecer,
Que sou aquele quem mais se preocupa
De verdade...
Contigo.
Eu não queria ouvir mais nada.
Era hora de ir para a cama. Mas fiquei magoado com aquela pequena discussão e ele sabia disso. Quando comecei a descalçar as botas, ele levantou-se da cadeira e foi sentar-se perto de mim.
— Sinto muito — ele disse com a voz mais desanimada.
Foi uma mudança tão grande da atitude de um minuto atrás que eu olhei para ele, e ele era tão jovem e tão infeliz que não pude deixar de abraçá-lo e dizer-lhe que não devia preocupar-se mais com aquilo.
— Lestat, você tem uma aura — ele disse. — E ela atrai todo mundo para você. Ela está presente mesmo quando você está furioso, ou desanimado...
— Poesia — eu disse. — Ambos estamos cansados.
— Não, é verdade — ele disse. — Há uma luz em você que quase cega. Mas em mim só existem trevas. Às vezes acho que se parecem com as trevas que o contagiaram naquela noite na estalagem, quando você começou a chorar e tremer. Estava tão desamparado, tão despreparado para ela. Tentei afastar aquelas trevas de você porque eu preciso de sua luz. Preciso dela desesperadamente, mas você não precisa das trevas.
— Você é que é o louco — eu disse. — Se pudesse ver a si mesmo, ouvir sua própria voz, sua música... que, é claro, você toca para si mesmo... não veria tanta escuridão, Nicki. Veria a sua própria luz. Triste, sim, mas luz e beleza se juntam em você em mil padrões diferentes.
— Sinto muito — ele disse com a voz mais desanimada.
Foi uma mudança tão grande da atitude de um minuto atrás que eu olhei para ele, e ele era tão jovem e tão infeliz que não pude deixar de abraçá-lo e dizer-lhe que não devia preocupar-se mais com aquilo.
— Lestat, você tem uma aura — ele disse. — E ela atrai todo mundo para você. Ela está presente mesmo quando você está furioso, ou desanimado...
— Poesia — eu disse. — Ambos estamos cansados.
— Não, é verdade — ele disse. — Há uma luz em você que quase cega. Mas em mim só existem trevas. Às vezes acho que se parecem com as trevas que o contagiaram naquela noite na estalagem, quando você começou a chorar e tremer. Estava tão desamparado, tão despreparado para ela. Tentei afastar aquelas trevas de você porque eu preciso de sua luz. Preciso dela desesperadamente, mas você não precisa das trevas.
— Você é que é o louco — eu disse. — Se pudesse ver a si mesmo, ouvir sua própria voz, sua música... que, é claro, você toca para si mesmo... não veria tanta escuridão, Nicki. Veria a sua própria luz. Triste, sim, mas luz e beleza se juntam em você em mil padrões diferentes.
A stitch in time
Don't say you want too much
They'll say you've had enough
Don't let them lay their trips on you
There's somewhere I just gotta be...
You're everywhere at once, and you can't break free...
You're everywhere at once, and you can't catch me, watch out!
There's somewhere I just gotta be...
They'll say you've had enough
Don't let them lay their trips on you
There's somewhere I just gotta be...
You're everywhere at once, and you can't break free...
You're everywhere at once, and you can't catch me, watch out!
There's somewhere I just gotta be...
Tirante a negro
Sozinho,
Na escurão nada se faz.
Nada se vê,
Nada se ouve,
Nada se fala,
Nada se sente...
Apague a luz, desligue tudo ao redor,
E olhe para um céu turvo, sem Lua ou estrelas...
Não se parece o mundo, tão injusto?
Na escurão nada se faz.
Nada se vê,
Nada se ouve,
Nada se fala,
Nada se sente...
Apague a luz, desligue tudo ao redor,
E olhe para um céu turvo, sem Lua ou estrelas...
Não se parece o mundo, tão injusto?
O que Sarah dsse
Percebi então que cada plano é uma pequena prece para o senhor tempo, enquanto eu encarava meus sapatos na UTI que cheirava a mijo e 409. Eu controlei minha respiração e disse pra mim mesmo que já tinha suportado demais por hoje. Enquanto os batimentos enfraqueciam no monitor e te levavam um pouco mais longe de mim. Pra longe de mim.
Entre as máquinas de venda e as revistas do ano passado, num lugar onde só dizemos adeus por causa de um deslize violento, agora as memórias dependem de uma câmera defeituosa em nossas mentes. E eu sei que é verdade que eu preferiria perder do que nunca te ter ao meu lado. E eu olhei para todos os olhos no chão enquanto a TV entretinha a si mesma. Porque não existe conforto numa sala de espera; apenas passos nervosos esperando por más notícias. Então a enfermeira aparece e todos erguem a cabeça. Mas eu estou pensando sobre o que Sarah disse. Que o amor está assistindo a morte de alguém.
Então quem vai te assistir morrer?
Entre as máquinas de venda e as revistas do ano passado, num lugar onde só dizemos adeus por causa de um deslize violento, agora as memórias dependem de uma câmera defeituosa em nossas mentes. E eu sei que é verdade que eu preferiria perder do que nunca te ter ao meu lado. E eu olhei para todos os olhos no chão enquanto a TV entretinha a si mesma. Porque não existe conforto numa sala de espera; apenas passos nervosos esperando por más notícias. Então a enfermeira aparece e todos erguem a cabeça. Mas eu estou pensando sobre o que Sarah disse. Que o amor está assistindo a morte de alguém.
Então quem vai te assistir morrer?
Meredith Grey
Demasiadas vezes, a única coisa que você quer mais é a única coisa que você não pode ter. O desejo nos deixa com o coração partido... Ele nos arrasa. O desejo pode destruir sua vida. Mas tão forte como querer algo pode ser... as pessoas que mais sofrem... são aquelas que não sabem o que querem.
Minha mão está tão longe da sua agora...
Você não precisa de ajuda
E mesmo se precisasse
Ninguém poderia te socorrer
Nem mesmo eu,
Que te amo tanto.
E mesmo se precisasse
Ninguém poderia te socorrer
Nem mesmo eu,
Que te amo tanto.
Citrino pensar
Até quando continuarei agindo como se não eu tivesse nenhuma pressa em ter minha própria vida? Até quando terei que aceitar as ordens dela para não ter que ouvir aquelas verdades no fim do dia? Queria ter coragem suficiente para sair por aquela porta e encarar o mundo lá fora. Mas ainda não estou preparada, sei que não. Ainda tenho medo dele, muito medo.
É bom sonhar.
Mas muitas vezes é insuportável.
É bom sonhar.
Mas muitas vezes é insuportável.
Teatime with Mr Silence 2
- Como tem andado? Ainda muito solitário?
Ele não respodeu. Me olhou com aquela expressão fúnebre, sem sentimentos. Tornou a cabeça para a janela.
- Pois é. Hoje o dia está cinza e nevoento, mas um tanto reconfortante, não acha? - perguntei enquanto servia-lhe uma porção de chá em sua xícara.
Ele acentiu. A fumaça do liquido quente recém derramado subia suavemente entre nós. Virei-me para onde ele olhava; a imagem de uma pequena névoa atravessando as árvores não muito distantes. Por alguns instantes a observei. Até que logo retornei a mesa e agarrei o açucareiro, alterando minha voz, obrigando-o a voltar seu rosto para mim.
- Uma colher ou duas?
Ele não respodeu. Me olhou com aquela expressão fúnebre, sem sentimentos. Tornou a cabeça para a janela.
- Pois é. Hoje o dia está cinza e nevoento, mas um tanto reconfortante, não acha? - perguntei enquanto servia-lhe uma porção de chá em sua xícara.
Ele acentiu. A fumaça do liquido quente recém derramado subia suavemente entre nós. Virei-me para onde ele olhava; a imagem de uma pequena névoa atravessando as árvores não muito distantes. Por alguns instantes a observei. Até que logo retornei a mesa e agarrei o açucareiro, alterando minha voz, obrigando-o a voltar seu rosto para mim.
- Uma colher ou duas?
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