Vinte e quatro do dez


Chovia fraco la fora. E de pé dentro do ônibus ela pensava que aquele seria só mais um dia. As pessoas a sua volta todas entretidas com seus celulares, umas ouvindo música, outras procurando na tela por novidades fúteis do mundo e da vida alheia. Já ela preferia guardar seus créditos pré pagos para quando realmente precisasse. E sentia falta, era verdade, mas não da internet e sim de um livro. Tinha saudade de uma história bem contada, daquelas que você senta e espera o final como uma criança curiosa em frente de um adulto. De devorar o que tiver nas páginas iniciais sem medo do que as últimas trarão. Então como qualquer outro cidadão comum, ela para um minuto para escreve sobre isso num bloco de notas eletrônico. Depois volta a observar a viagem, a paisagem que quase ninguém mais pára para admirar.