Ela sentou-se do meu lado e perguntou:
- Hey, o que está fazendo?
- Nada, - respondi enquanto passava levemente meus dedos pelo sexteto de cordas do violão que repousava deitado em meu colo. - Não faço nada, só respiro.
- Então vamos brincar?
- Do quê?
- De show.
- Como assim?
- É fácil. - disse ela. - Você é a artista e eu sou a platéia.
- Mas aí não vai ter graça.
- E por qual razão não terá graça? - replicou, em tom um pouco mais tenso. - Só porque eu sou sua amiga imaginária?
- Não, Juddy, não é isso. - expliquei, acariciando o instrumento com suavidez. - É que eu não sei tocar e cantar. E eu sempre erro nos acordes, não é sempre que sai perfeito, você sabe.
- Claro que sei. - olhou rapidamente meu rosto que estava cabisbaixo. - Mas se saísse perfeito toda a vez, seria uma chatisse, não acha?
- É, talvez.
- O que seria do doce senão existisse o amargo? É aí que a graça se esconde. - deu um leve tapinha em meu ombro, sorrindo. - Agora vamos, toque uma canção. Sua platéia está esperando.