( Páginas 168 e 169)

Desde que deixei de te amar
Ando confuso
Palavras vão e vem
Como as pessoas ao meu redor
E a minha vida de disco arranhado
Insiste em tocar sempre a mesma melodia

No decompasso do coração
O meu impulso enfraquece
Como a vela que sibila
Ao menos sinal de esperança
Uma batida mais forte poderia
Reavivar a minha vida

Quantas faixas faltam para o grand-finale?
Quantas voltas são necessárias para a ultima canção?

Se tocasse todas as musicas de trás para a frente
Se eu entoasse todas as letras como uma mantra suicida
Se eu desejasse todos os sonhos
em códigos binários e em notas musicais

Os meus sentimentos decifrados em altos e baixos
Todos os meus amores em longos e breves
Toda a minha vida em curto e contínuo
Em que rotação deveria tocas a minha sinfonia de notas dissonantes?

Uma resposta em beijos desmedidos
Uma intenção de felicidade em ingênuas carícias

Uma volta
Mais volta
Outra volta

Para onde foi a minha grandeza?
Fumaça a rodopiar no ar viciado
Copos vazios em bocas amargas
Onde foi para a infelicidade que estava sentindo?
Fatalidade. A água que inundava os meus olhos
Onde foi verter tanta desesperança?

Amanhã, uma vida
Um novo amor
Da velha melodia esquecida
Não mais confuso
Não mais amado
Não sonhado
Não sentindo

Como as idades tateadas em círculos
Do sulco profundo de cada alma

Tudo no intervalo,
Enquanto toca mais um vez
Essa musica que me fez te amar
E que agora me deixa confuso.