6, novembro, 2011

              Assim que passei pelo pequeno túnel e atravessei para a pista, olhei para o casal que se despedia ardentemente, como se um não fosse ver o outro por um longo tempo. Ela já estava dentro do terminal e ele do outro lado da grade levantou a mão logo onde a grade terminava, acima da cabeça. Ela era alta, logo alcançou a mão dele e pelo que entendi, a mão de cada um era uma metade, que juntas formavam um coração, talvez. Não consegui ver o formado, e achei lindo. O modo como não queriam ir embora dali.
     The Scientist do Coldplay se iniciou dentro da minha cabeça como se eu ainda tivesse aquele velho mp4 pra fazer a trilha sonora da minha vida. Um vento gelado bateu no meu rosto coberto de maquiagem e sem quase mexer os lábios, comecei a cantar tão baixinho que o som era facilmente coberto pelo barulho das pessoas falando que iam se achegando pouco a pouco, junto ao motor dos trólebus que passavam momento ou outro.
     Aconteceu que durante a viagem inteira cantei essa música, num volume do qual ninguém mais pôde ouvir. Meus olhos estavam sempre virados para a rua através do vidro, mas tudo o que eu via era eu mesma numa praia vazia, com o mesmo ar frígido contra a cara e olhos mareados... Como alguém que quisesse voltar naquele primeiro dia, e ter feito tudo diferente. Pra não ter que voltar naquela praia e lembrar que poderia ter sido melhor...

Nobody said it was easy,
Oh it's such a shame for us to part...
Nobody said it was easy,
No one ever said it would be so hard...
I'm going back to the start.