There's nothing left to say, so...

Um nevoeiro tomava conta do hizonte. Estava parada em cima do muro na ponte, de costas pro lado do rio. Em sua mão uma corrente com um pingente de plástico branco. Os olhos apagados, molhados, tristonhos.
Pessoas se aproximam, o olhar de súplica em seus rostos um tanto conhecidos. Com elas trazem suas melhores lembranças. Algumas trazem porta-retratos, com fotos de momentos de pouco e de muito tempo atrás. Outras apunhalavam pequenos objetos, dados de presente que lembram momentos bons. Duas delas seguravam as únicas cartas que haviam recebido, e recordando todo o amor que usou pra escrevê-las, percebeu que aquela pessoa única não estava lá. E jamais estaria, nunca mais.
Uma mão se estendeu e ao olhar quem a fizera, encontrou com o olhar o qual mais tem sonhado. Os orbes chispavam intensamente junto aos traços daquele rosto que faziam um convite para um novo mundo. Poderiam estar enganados; nunca levar a mundo algum. Mas não diziam que era impossível...
Bastava mais um olhada em todas aquelas faces para sentir mais algumas lágrimas rolarem e cada pessoa lembrar sobre como tudo pode ficar bem sem realmente estar. E tocou aquela mão que pertencia ao mesmo corpo dos olhos que sempre desejou. Desceu do muro, mas ninguém mais se mexeu.
Fitou os olhos e aquela fronte mais uma vez antes de sentir a mão deslizar por seu semblante e secar a lágrima que rolava lenta. As pessoas foram se esvaecendo, cada uma ainda em seu lugar e antes sorriram, apertando seu pertence contra o peito ou punho, como se agradecessem.
Olhou para frente e viu aquele olhar desaparecendo, junto com a mão que lhe ajudava a voltar pra solo firme.
Só precisou mirar em volta, pra saber pra qual dos lados caminhar. Ninguém à vista. O nevoeiro agora dançava pela ponte deserta.

E ela não entendia porque a corrente ainda estava em sua mão.