To numb to cry

É sábado. Ótimo dia prum show. O Sol sorriu para o céu limpo e azul de uma manhã de inverno. Até isso deu certo pra ela. Carona, companhia, um ingresso VIP de um show maravilhoso nas mãos e um sábado sem ninhum frio ou pingo de chuva. Em lembrar que eu fiquei oito horas na fila da Pista do Avenged Sevenfold, com uma capa de plástico de cinco reais pra me proteger de uma garoa maldita que me perseguiu durante cada minuto naquela grade. Comprei uma camiseta linda pra ela, imaginei ela usando enquanto sorria com aquele guitarrista perfeito, enquanto se sentia realizada vendo um ídolo que acompanhou ela desde pequena.
Às vezes sinto que as circunstâncias são justas comigo, até mesmo quando mais me magoam. Quem dera que cada um que não merecesse não conseguisse, por mais que tentasse. Não era pra eu ver o Glenn Danzig, não era para eu ver o Zakk Wylde. E se eles morrerem antes de voltarem pra esse país de merda, será apenas isso que irei ouvir: Não era pra ser...
Por que as pessoas se contentam tão rápido com o que acham que não podem ter? Por que só eu continuo cavando, a dedos nus, sem pá nenhuma?
Mas pela primeira vez eu estou feliz em perder um show. Porque pela primeira vez ela foi por ela, e pela primeira vez eu vou ficar em casa, apenas lamentando por ter não poder ter visto o brilho nos olhos dela ao ver o guitarrista que ela - e não eu - merecia ver.