Ergui meus orbes em direção ao espelho e fitei a imagem nele sem pretensão alguma. Por um instante achei que meus cabelos pareciam tão mais belos do que nunca: sujos, extremamente lisos, escorridos, e brilhantes como se estivessem inteiramente molhados. Porém minha face não poderia estar tão mais bela: olhos quase negros mergulhados cada um em sua respectiva mancha arroxeada e opaca; a pele que parecia mais lisa, o que de certo me fez perceber que me encontrava muito mais pálida que da última vez em que havia me observado por aquele vidro polido e metalizado que reflete luz. Com exceção do indecoroso ócio que me contagiava de modo completo, sentia-me perfeitamente bem...
Então pensei: O que diriam se vissem assim?
Não, respondi no mesmo minuto. Não haveria ninguém que quisesse me ver. Não daquela forma. As paredes, talvez... tão cândidas, achando-se no direito de zombar-me a cara, que a cada dia descora-se mais e mais.