Eu não queria ouvir mais nada.

Era hora de ir para a cama. Mas fiquei magoado com aquela pequena discussão e ele sabia disso. Quando comecei a descalçar as botas, ele levantou-se da cadeira e foi sentar-se perto de mim.
— Sinto muito — ele disse com a voz mais desanimada.
Foi uma mudança tão grande da atitude de um minuto atrás que eu olhei para ele, e ele era tão jovem e tão infeliz que não pude deixar de abraçá-lo e dizer-lhe que não devia preocupar-se mais com aquilo.
— Lestat, você tem uma aura — ele disse. — E ela atrai todo mundo para você. Ela está presente mesmo quando você está furioso, ou desanimado...
— Poesia — eu disse. — Ambos estamos cansados.
— Não, é verdade — ele disse. — Há uma luz em você que quase cega. Mas em mim só existem trevas. Às vezes acho que se parecem com as trevas que o contagiaram naquela noite na estalagem, quando você começou a chorar e tremer. Estava tão desamparado, tão despreparado para ela. Tentei afastar aquelas trevas de você porque eu preciso de sua luz. Preciso dela desesperadamente, mas você não precisa das trevas.
— Você é que é o louco — eu disse. — Se pudesse ver a si mesmo, ouvir sua própria voz, sua música... que, é claro, você toca para si mesmo... não veria tanta escuridão, Nicki. Veria a sua própria luz. Triste, sim, mas luz e beleza se juntam em você em mil padrões diferentes.