Estávamos deitadas na cama, uma não muito distante da outra. Ela estava do meu lado esquerdo, esticada, pestanejando suavemente para o teto. E eu havia virado de lado, para observá-la. O ambiente era extremamente ordeiro, tão calmo quanto aquela antiga canção que soava pelo rádio.
- O que tanto olha lá em cima? - perguntei serenamente, apenas por curiosidade.
- As estrelas. - respondeu ela sem se mexer, piscando leve.
- Estão bonitas hoje?
- Um pouco.
- E qual está brilhando mais?
- A da minha direita. - disse após alguns instantes de silêncio, permanecendo com seus orbes quase que imóveis para o alto. - Está brilhando muito, não sei se devo olhar para ela.
- Será que queimaria seus olhos?
- Não sei, mas acho que vou arriscar... - e virou sua face, logo encarando meu sorriso tênue que prontamente deixei escapar. - Só espero que nunca deixe de brilhar pra mim.