Na volta

Me desloco pelo centro da cidade vizinha
À procura de um pescoço semelhante ao meu

Ainda é dia, a tarde mia
Como um gato manhoso e famélico
Implorando por algum afeto e um pouco de leite
Enquanto observa o céu frio
Que apesar de triste, escondia suas últimas nuvens
Claras e únicas...

E não me importo se não entender
Linhas embaralhadas, cheias do dizer
Não sei da verdade, por isso não digo

O que se sente, não joga-se fora... não agora.

Carreguei-a até a porta lateral da igreja e, silenciosamente, quebrei o trinco.

— Sinto frio no corpo inteiro. Meus olhos estão ardendo — ela tornou a
dizer num sussurro. — Algum lugar escuro.
Mas quando comecei a levá-la para dentro, ela se deteve.
— E se eles estiverem certos — ela disse — e nós não pertencermos à
Casa de Deus?
— Conversa fiada, tolices. Deus não está na Casa de Deus.
— Não diga isso!... — ela gemeu.